ESPECIAL | CRONISTA DO MÊS #14

Um pouco sobre mim


"Nasci em uma família de classe média. Por muito tempo tivemos tudo o que precisávamos, porém como a vida não segue um  manual, acabamos por perder quase tudo. Literalmente, vagamos de aluguel em aluguel, eu era muito novo pra me lembrar de tudo, mas os flashes que me vem à cabeça ainda me fazem sentir a dor dos meus pais.

Por um tempo conseguimos certa “paz”: mudamos para uma casa nossa - nada se comparava ao que era antes - mas como não lembrava muito, não liguei. Nesse lugar eu acabei por descobrir a pior face do ser humano. Tinha nove anos quando o meu melhor amigo foi morto, ele tinha a mesma idade que eu. Foi o primeiro, infelizmente não foi o único, vi muita coisa que até hoje invade minha cabeça e me tira o sono, como tirou hoje.

Muito novo, aprendi do pior modo que a vida pode mostrar, mas tinha que aprender, era forçado a isso, a realidade que muitos rezam para nunca viver era a vista do meu quarto. Vi amigos que cresceram comigo tomando rumos diferentes, alguns simplesmente sumiram, outros se perderam e alguns, abruptamente foram levados daqui. Caso um dia me pergunte de meus amigos de infância peço desculpas, mas eu os escondo até da minha pessoa e sei que os poucos que ainda têm a capacidade da lembrar se escondem de mim.

Minha vida nem sempre foi escuridão. Tive muitas alegrias, encontrei outros amigos pelos quais me levaram a destinos que pouco sonhava, já que sempre vi a luta decidi lutar de vez, mas aos poucos isso também vai indo. Acabei aprendendo a não me apegar a coisas e pessoas, pois sempre achei que uma hora ou outra elas seriam levadas, só que isso cansa, às vezes se fingir de forte te torna ainda mais fraco.

Para uma pessoa que se apegou poucas vezes e sofreu de verdade aqui vai um conselho: esse monstro de se apegar que vocês intitulam só é um monstro por culpa única e exclusivamente de vocês, ruim é não ter algo ou alguém a se apegar. Esse sim, vai te atormentar por noites e noites, acredite ele me fez companhia por muito tempo.

Mas essa é um pequena parcela daquilo que me moldou, não é nem quem sou por inteiro, tenho muito a contar, acredite nem tudo são flores, mas nem tudo são tragédias. Bem ainda tem muito a ser dito..."

Roberto Rodrigues





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