ESPECIAL | CRONISTA DO MÊS #15

Cumprimentos Extintos


Antigamente, fazia-se amizades ao acaso. Puxávamos assunto no ponto de ônibus, no elevador, na fila do mercado, no banco da pracinha. E era um papinho bobo do tipo: "Acho que hoje vai chover". Às vezes, até nos indignávamos com o outro: "Nossa, que demora né?". Ou mostrávamos preocupação com o vizinho: "Como vai a família hoje? Todos bem?"

Tenho tantos amigos nas redes sociais que são fruto de um olhar de carinho, de uma conversa repentina dessas, de um encontro casual. Não nos falamos todos os dias, nem somos melhores amigos. Mas quem sabe? Posso afirmar com certeza, que se nos víssemos de novo, nós pelo menos, nos cumprimentaríamos como conhecidos amigos.

Hoje, sinto uma distância imposta por nós mesmos, uma barreira de proteção. Nós só podemos imaginar coisas ruins vindas de outro alguém. Na rua, o medo.

- Cuidado com os assaltos!

- Não fale com estranhos!

- Não confie nos outros!

Tomar cuidado é sinônimo de fechar-se numa bolha impermeável? Será que é a mídia nos influenciando mais uma vez?

"Cresce o número de mortos por assalto em todo o país."

"Brasil tem o maior índice de mortes do mundo."

Pode ser absurdo, mas tudo bem, você não precisa concordar comigo. Meu único desejo é fazer você pensar um pouco. Eu só queria voltar a oferecer um 'bom dia' ou um sorriso simpático aos des(conhecidos), sem parecer estranha demais.




Heloísa G. Artoni

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Beijos!


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