VOCÊ CONHECE: MARCUS VALERIUS MARTIALIS ?

    Marcus Valerius Martialis nasceu em Bílbilis, na província do império romano conhecida como Hispania Terraconensis, num primeiro de março de 38-41 d.C.(o ano é incerto).
    Depois de receber educação rigorosa em retórica e oratória, com 25 anos foi para a capital do mundo em busca de fortuna. Não deu certo como professor, acabou virando poeta.
    O "Boca de Roma", como ficou conhecido, escreveu 1561 Epigramas. Epigrama: primeiramente, escrita sobre; poemas curtos inscritos num objeto, geralmente em potes, estátuas, monumentos, túmulos, presentes, paredes.
    Verdadeiro poeta-cronista de seu tempo, flaneando por esquinas e espaços públicos, banhos, termas, saunas, jantares e festas, Marcial registra a vida dos romanos, seus tipos, práticas sociais, vícios, suas cenas obscenas. Popular, foi reconhecido como grande poeta ainda em vida.
    Temas constantes: prostituição, desigualdade social, adultério, incesto e todos os tipos de sexo. Sem meias palavras. Suas injúrias, insultos e sátiras tem como objetivo criticar a hipocrisia da elite romana. Contraditório, o Boca de Roma criticava os "parasitas" e "vagabundos" da sociedade, embora ele mesmo dependesse de poderosos mecenas e patronos para sobreviver (como o imperador Domiciano), a prática da patronagem sendo comum em seu tempo.

Alguns de seus epigramas:

"Omnia promittis cum tota nocte bibiste; / mane nihil prestas. Pollio, mane bibe."
De noite, bebum, promete o mundo, de dia esquece tudo. Meu bem, beba só de manhã.

"Cum futuis, Polycharme, soles in fine cacare. / Cum pedicaris, quid, Polycharme, facis?" 
Quando fode, Policarmo, você caga. Quando dá o cú, Policarmo, como acaba? 

"Lector et auditor nostros probat, Aule, libellos, / sed quidam excactos esse poeta negat. / on nimium curo: nam cenae fercula nostrae/ malim conuiuis quam placuisse cocis."
Aquele que me lê e ouve, aprova, enquanto o poeta faz que não me vê. Foda-se: minha comida é pra quem gosta de comer, não pra gourmets. 

"Nubere Paula cupit nobis, ego ducere Paulam / Nolo: anus est. Vellem, si magis eset anus." 
Paula quer casar comigo. Nem a pau. Paula é velha. Até casava, se ela fosse mais velha. 



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