LITERATURA OSTENTAÇÃO

Olá leitores, como vão indo?
Hoje trago pra vocês, um texto muito interessante que li esta semana, do escritor Rafael Rodrigues para a Huffpost Brasil. Um texto que para nós, interessa muito, já que amamos ler e encher nossas estantes cada vez mais.


"Ofuscado pelas selfies, belfies, pelfies e quais outras "elfies" forem possíveis inventar, e também pelos baixíssimos índices de leitura no Brasil - a média é de 4 livros por ano, ou seja, um livro a cada três meses -, está um fenômeno restrito aos literatos, o qual decidi batizar de literatura ostentação.
Não é exatamente um nome original - existe até uma canção-poema com esse título. Mas como só descobri isso depois de começar este texto, sigamos.
Esse fenômeno se caracteriza pela publicação, nas redes sociais - Facebook, Twitter, Instagram etc. -, de imagens de livros, prateleiras ou estantes.
Alguns ostentam o resultado da mais recente ida à livraria; outros, livros que ganharam de presente; alguns registram a nova arrumação da(s) estante(s); ou mesmo uma nova estante, comprada ou feita para abrigar os volumes que se espalham pelos mais variados locais da casa do literato - cômoda, escrivaninha, banheiro, cozinha, guarda-roupa, embaixo da cama, pendurados no teto...
As fotos de prateleiras e estantes são as mais instigantes. Os amigos - boa parte também literatos - do autor da imagem comentam sobre as obras que conseguem identificar pelas lombadas. Há, nesses comentários, qualquer coisa de ostentação, também, principalmente quando a lombada em questão não está muito nítida. "Nossa, como ele conseguiu identificar?"
Também comuns são os comentários que enveredam pela qualidade deste, pela falta de qualidade daquele, pela raridade de um outro, pela presença massiva dos livros de Fulano de Tal e, claro, às vezes aparece um espírito de porco para dizer que falta um título desse Fulano de Tal. Um que foi editado em 1925 e que ele tem porque encontrou perdido num sebo - e comprou por um valor irrisório.
Alguns comentadores às vezes apontam a falta de critério na arrumação de uma ou mais prateleiras. É a deixa para o literato dizer que essa aparente falta de critério é, na verdade, o seu critério, e que somente ele entende a tal arrumação. (O caro leitor que não duvide: em alguns casos, isso é mesmo verdade.)
Sempre acontece, também, de alguém perguntar se um determinado livro é bom. O literato torce para que isso não aconteça, mas sabe que é inevitável.
(Esqueci de dizer: uma das características mais marcantes dos neoliteratos internéticos pós-modernos é que, em suas estantes, poucos são os livros efetivamente lidos de cabo a rabo. Mas não apenas deles, é claro. Literatos ortodoxos conservadores pré-pós-modernos também sofreram ou sofrem com isso. Eis alguns exemplos: José Mindlin (que nos deixou em 2010), Alberto Manguel e Jacques Bonnet, cujas bibliotecas gigantescas jamais serão lidas em sua completude. Nada que os incomodasse ou incomode, claro. Existem casos de neoliteratos internéticos pós-modernos que conseguem ostentar, em suas estantes, mais livros lidos que não lidos, mas são raros, e dignos de estudo científico.)
Voltando ao assunto. Eis a resposta padrão para aqueles que perguntam se determinado livro é bom: "esse ainda não li, mas está na fila". Uma fila quilométrica, muito maior do que a pilha, prateleira ou estante em questão.
Nada que cause temor ao literato. Ele sabe que jamais lerá todos os livros que tem. Mas isso não importa: o que importa é ter todos esses livros ao seu lado. Eles fazem parte de sua vida, de sua história. Quando um desses livros vai embora, não é apenas um exemplar a menos na prateleira. É uma história a menos para lembrar e contar.
Mas essa já é uma outra conversa."

E quem não tem uma fila quilométrica de livros para ler, que atire a primeira pedra HAHA
Beijos e até a próxima!

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