MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS - MACHADO DE ASSIS



"Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco."








    Sinceramente, eu nunca gostei de Machado de Assis, porque sei lá, ele e José de Alencar, são dois autores que eu passava longe. Aí, eu comecei a lê-los para as leituras obrigatórias do vestibular, o que também não foi legal. Mas esse ano, estou me forçando a ler clássicos e, não é que eu gostei desse livro? Gostei demais, e mais uma vez reforço minha teoria de que, NENHUM livro é ruim, nós que às vezes não estamos preparados para lê-lo. E foi o que aconteceu, talvez por ser mais nova, ainda sem experiência literária, eu não tenha gostado ou entendido realmente o livro, mas agora sim, então vamos lá!



Informações Gerais: 
Ano de Lançamento: 1987
Número de Páginas: 144
Editora: Ática - Série Bom Livro
Como obter: http://www.americanas.com.br/produto/7295235/memorias-postumas-de-bras-cubas
Minha nota:


O livro começa com uma das dedicatórias mais legais que eu conheço:
"AO VERME QUE PRIMEIRO ROEU AS FRIAS CARNES DO MEU CADÁVER DEDICO COMO SAUDOSA LEMBRANÇA ESTAS MEMÓRIAS PÓSTUMAS."
    Machado de Assis quis escrever essa história de Brás Cubas diferente das demais, quis começar da morte e não, do nascimento; por isso ele se diz um defunto autor e não, um autor defunto. Por conta disso também, o livro não segue uma narrativa linear ou cronológica: o autor escreve memórias, na ordem em que elas lhe vêm à cabeça. Talvez, esse seja o motivo, pelo qual as pessoas não gostem do livro, por ser confuso.

    Outra mania de Machado, é inventar palavras. Às vezes, não adianta olhar no dicionário, porque a palavra não existe, é como se ele tivesse um vocabulário próprio. Por isso, recomendo a vocês, escolherem uma boa edição, que contenha notas explicativas. Essa em que eu li, tem tudo. Leiam as notas de rodapé! O narrador conversa muito com o leitor, o que caracteriza ironia e outras figuras de linguagem. Muitas vezes, ele usa capítulos curtos, ou então, sem uma palavra sequer, apenas pontos ou reticências, que para o leitor deve fazer sentido, claro. Ou então, um capítulo explica o  capítulo anterior ou pede desculpas pelos devaneios, o que pode ser uma metalinguagem.

    A história começa a ser contada, como lhes disse, do velório de Brás Cubas, que continha 11 pessoas apenas, o que contradiz a frase "A natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade..." Talvez ele não tenha sido tão importante assim em vida, a verdade é, que para o amigo que escreveu essa frase, foram deixadas 20 apólices. Amigo bom e fiel, não é mesmo?! HAHA

    Outra coisa que preciso lhes dizer, é que o amor nunca deu certo para Brás Cubas. Todas as paixões (Marcela, Nhá-loló, Virgília, Eugênia, etc) apresentam limitações que as impediam de ser levadas à sério: uma era prostituta - e fez Brás Cubas gastar muito dinheiro da família com jóias para agradá-la -, outra era coxa de nascença - a menina era bonita mas mancava de uma perna -, a outra morreu aos 19 anos de uma doença epidêmica na época (acho que febre amarela) e a outra era casada com um de seus amigos.

    No entanto, o caso que mais durou foi o de Virgília, a senhora casada. Eles se encontravam às escondidas, na casa de uma velha senhora de confiança, sempre às tardes, quando o marido saia para trabalhar na câmara. Mas a vizinhança começou a suspeitar e até mesmo, o marido de Virgília, andou recebendo cartas anônimas sobre o caso. Outra coisa, que nunca deu certo para ele, foi a carreira política. Só que Brás Cubas não é o tipo de pessoa que tenta e desiste porque não deu certo. Ele sempre tentou um cargo de ministro, mas por nascer em berço de ouro, não precisava de trabalho para sobreviver.

    Neste livro, aparece o Quincas Borba, um personagem de outro livro de Machado de Assis. Aqui, ele é um amigo de infância de Brás Cubas e um completo maluco. No primeiro reencontro deles, Quincas está morando na rua e não tem dinheiro para almoçar, então rouba o relógio de bolso de Brás. Mas no decorrer do livro, eles se tornarão grandes amigos, juntos até a morte, criando uma nova filosofia chamada Humanitismo. E só quem ouve as sandices do Quincas é o Brás Cubas.

    Surge então, a ideia de criar um emplasto com o seu nome. Demorei a entender o que era, mas o emplasto é um tônico milagroso que é capaz de curar qualquer tipo de doença, mas que não funcionou para curar a pneumonia dele. No último capítulo intitulado Das Negativas, ele vai dizer que nada na vida dele deu certo, de pouca significância. O emplasto não funcionou, a carreira política também não, não se casou, não precisou trabalhar para se sustentar, não padeceu perante à morte de seus amigos e mais, não teve filhos!

    Sobre as minhas marcações, eu fiz poucas. Como o livro foi usado pela minha mãe na faculdade de Letras, já tem anotações dela, o que me ajudou muito a entender alguns pontos da narração. A citação que eu mais gostei foi:
"Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes."
    A edição que eu tenho, é uma edição bem antiga, as páginas estão já amareladas, com cheirinho de estante empoirada. Tem uma capa bem legal com "orelhas" que continuam o desenho da capa. É uma edição didática porque ela vem com um Suplemento de Trabalho (um livreto com algumas atividades e exercícios para testar suas memórias sobre a história, os personagens, o ambiente, etc). Acho bem legal, e queria que mais livros tivessem esse formato.

QUAL A CAPA MAIS BONITA DE MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS?
Deixe seu voto nos comentários!


Beijos, e até a semana que vem!

Comentários

  1. Oie,
    Também penso como você. Nem sempre estamos preparados para certo tipo de leitura, mas sempre é bom tentar de novo.

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    1. Clássicos são clássicos né, Publicando Relações? Tive a necessidade de reler.

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  2. Olá,

    esse é um clássico na literatura nacional. Concordo que não são todos que estão preparados para mudanças ou determinadas literaturas, mas é algo que com o tempo aprimoramos, aprendemos a gostar. www.sagaliteraria.com.br

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    1. Sim, eu mesma aprendi a gostar dos clássicos. Já tenho vários na minha coleção!

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  3. Gosto da ideia de o narrador conversar com o leitor, isso me faz sentir que estou dentro da obra. Gostei demais da análise que você e das dicas que deu para o novo leitor de Machado de Assis. Confesso que o que li dele o foi por obrigação, diferente de José de Alencar que eu sempre amei, li o que era meu dever para a escola, mas li ou reli várias obra que eu amava, gosto do jeito que ele escrevia.
    Machado de Assis é um ícone e talvez deva fazer como você me despir de alguns preconceitos e me lançar a ler os clássicos nacionais que são tão ricos.

    Bjo
    Tânia Bueno
    www.facesdaleitura.com.br

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    1. Faça isso e não irá se arrepender Tânia. É importantíssimo dar uma segunda chance a esses escritores, como eu fiz com Machado de Assis. Beijos!

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  4. Olá Heloisa,
    Gostei muito de sua resenha e fez com que eu pensasse novamente com mais carinho sobre esse livro. Há muitos anos eu tentei lê-lo, no entanto, não consegui, talvez pelo estilo de narrativa, pelo fato de ter palavras difíceis (ou diferentes demais) ou por não ter gostado mesmo. E olha que li muitos livros chamados clássicos dessa época, englobando o romantismo, realismo e parnasianismo, tanto brasileiro quanto português. Eu ainda o tenho, quem sabe agora eu tenha mais maturidade para terminar de ler o livro.
    bjs

    Antonio Henrique Fernandes
    www.navioerrante.blogspot.com.br

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    1. Com certeza, Antonio. Se tentar, vai conseguir... o livro é moralmente muito bom!

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  5. OI!
    É sempre legal quando a gente consegue ler um autor que nem pensava passar perto né.
    Eu já li esse livro e achei bem interessante também, mas hoje em dia nem passo mais perto pois fiquei com trauma de ter que ler meio que obrigada na escola rsrsr

    www.gordinhaassumida.com.br

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    1. Isso é um erro Sabrina. As escolas ao invés de incentivar a leitura, utilizam o pior método possível: obrigação. Vários traumatizados surgiram depois disso kkkk mas tente ler mais clássicos quando puder!

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  6. Eu acho que a linguagem mais culta é o real motivo das pessoas passarem longe dos clásicos e Machado ainda tem as particularidades dele,eu também sempre fugi dos livros dele,mas na faculdade tive que ler e também gostei,mesmo sendo meio confuso.

    òtima resenha,quem nunca leu fica com vontade de conhecer.. eu fiquei.

    bjsss


    Apaixonadas por Livros

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  7. Olá, tudo bem?

    É um dos meus clássicos favoritos, que legal que vc gostou!
    E concordo com vc de que as vezes não é o livro, somos nós, o nosso momento. E tem tb aquele detalhe de que o que desagrada um pode agradar o outro e vice-versa, enfim, gosto é gosto. XD

    Beijo!

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